domingo, 17 de maio de 2015

Maranhão, Balaiada e o Algodão: o elo que fez a pobreza crônica e a guerra que foi pra debaixo do tapete


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O desenvolvimento do sistema de plantation foi responsável pela predominância de uma determinada lógica de exploração das terras no Brasil Colonial. Contudo, não podemos acreditar que somente o uso sistemático de grandes propriedades monocultoras foi o único responsável pelo desenvolvimento de atividades econômicas no Brasil. Na verdade, outros ramos de desenvolvimento econômico também vieram a compor a circulação de bens de nossa economia.


O algodão, por exemplo, foi primeiramente cultivado com o objetivo de suprir a necessidade existente de tecidos utilizados no embalo dos produtos e para a fabricação de tecidos que pudessem ser utilizados como vestimenta dos escravos. Em sua grande maioria, os integrantes da elite colonial não usufruíam do tecido produzido internamente, preferindo importar os tecidos da Europa. No século XVIII, a cultura algodoeira ganhou maior expressão com a crescente demanda industrial europeia.

A exportação do algodão em grandes quantidades teve relação direta com o surgimento das primeiras instalações industriais europeias. Nas suas etapas iniciais, a consolidação da economia industrial teve forte expressão no ramo têxtil, onde apareceriam as primeiras inovações tecnológicas que permitiram o desenrolar da chamada Revolução Industrial. Na medida em que os mercados consumidores se ampliavam, grandes potências econômicas como a Inglaterra ampliavam sua demanda por algodão.

O crescimento das lavouras de algodão no Brasil aconteceu a partir da segunda metade do século XVIII, período em que a forte elevação dos preços no mercado internacional e a guerra de independência dos Estados Unidos aconteceram. Antes desse aumento, as colônias norte-americanas eram responsáveis pela grande maioria do algodão consumido pelos europeus. No século seguinte, a produção na América portuguesa enfraqueceu com a recuperação econômica dos Estados Unidos.

Nessa época, o estado do Maranhão foi um dos maiores produtores de algodão de todo o Brasil. Em seu período de auge, o algodão chegou a representar 24% da riqueza produzida na colônia, perdendo apenas para o açúcar, dominava mais de um terço da economia colonial. A partir do século XIX, o governo incentivou a construção de fábricas têxteis que empreendessem a manutenção dos benefícios ficais provenientes da exploração do chamado “ouro branco”.


Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

REFERÊNCIAS: 
http://www.brasilescola.com/historiab/economia-algodoeira.htm 
http://www.abrapa.com.br/estatisticas/Paginas/Algodao-no-Mundo.aspx 
http://aprosojams.org.br/verNoticia?id=552&tit=ALGOD%C3%83O/CEPEA:-Apesar-de-colheita-no-Brasil,-pre%C3%A7os-est%C3%A3o-firmes.html 

Memorial da Balaiada promove ações na Semana Nacional dos Museus

A Semana Nacional dos Museus acontece de 18 a 24 de maio. Nesse período, em Caxias, o Memorial da Balaiada irá oferecer ao público uma exposição com as obras de Lasar Segall, agendamento para visitações coletivas, além do acervo eclético que fica à disposição.

Fonte: TV Sinal Verde Caxias

http://sinalverdecaxias.com/noticia/memorial-da-balaiada-promove-acoes-na-semana-nacional-dos-museus 


sábado, 16 de maio de 2015

Banner do Projeto Balaiada: para apreciação e deliberação


Apresentamos acima a proposta de banner para o Projeto Balaiada a fim de que possa ser utilizado nos eventos da coordenação, como seminários, encontros e exposições. 
Aguardamos sugestões que venham a contribuir com o enriquecimento da proposta. 

Contribuições para: 
chapadinha.janio@gmail.com 

Obrigado!

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Encontro da Balaiada para comunidade de Chapadinha

 
O Projeto Balaiada, enfim, vai ser apresentado à comunidade de Chapadinha.
Professores, alunos, prefeita, secretários municipais, gestores escolares, supervisores, empresários do ramo de hotéis, restaurantes e pousadas, bem como artistas locais, são convidados a participar do Encontro de socialização do Projeto Balaiada.
O Encontro será no dia 23 de junho, terça feira, das 13:00 às 17:30 horas.
O local e a forma de inscrição de participantes será divulgada mais adiante.
O Projeto Balaiada tem dois focos bem específicos: promover um resgate cultural na região do nordeste maranhense, fortalecimento seu autoconhecimento e sua autoestima e, ainda, incentivando o aquecimento da economia da região através do turismo, consumo de artesanato, culinária, música, dança, teatro e diversas outras formas de expressão artística local. 

I Encontro do Projeto Balaiada em Nina Rodrigues, 2015


CULTURA AGORA!
 
Prof. Jânio Rocha
A Prefeitura Municipal de Nina Rodrigues através das Secretarias Municipais de Cultura e Educação realizou no auditório da UAB, O PRIMEIRO ENCONTRO DO PROJETO BALAIADA, terça-feira, 12, evento este que deu início por volta das 08h00min com o término às 11h00min. O encontro teve como mediador o professor Jânio Rocha de Chapadinha – MA.
Prof. Maxwell
O Evento contou com a participação do Prefeito Riba do Xerém (PRB), secretários municipais, vereadores, associações, grupos culturais, músicos, escolas, enfim um público bem massivo.

Prefeito Riba do Xerém e o público
Riba do Xerém está bastante entusiasmado e investindo fortemente no projeto, pois acredita que o mesmo contribuirá bastante nos aspectos culturais e educacionais da população Ninense.
Na atividade de terça (12) estiveram presentes os secretários de cultura: Wilson Souza – Urbano Santos-MA, Lidiane – São Benedito do Rio Preto-MA, Valterlindo Silva – Vargem Grande-MA, além do Gestor Local Erickson Maxweell que está à frente do Projeto no Município.

Prof. Macêdo

  De acordo com Maxweell, esse projeto visa levar a todos os Ninenses o real significado da Guerra da Balaiada no Maranhão e em Nina Rodrigues, que acorreu de 1838 a 1841.
Contamos a partir de agora com gestores e professores das redes de ensino Municipal e Estadual para que os mesmos possam desenvolver este projeto dentro das salas de aulas.
 
PREFEITURA MUNICIPAL DE NINA RODRIGUES
AVANÇANDO COM RESPONSABILIDADE
ADM: RIBA DO XERÉM

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Zona rural de Chapadinha (povoado Lagoa Amarela) é divulgada como um dos principais focos de resistência e atrativos turísticos da região da Balaiada

Na sequência de cima para baixo, os municípios
de Barreirinhas, Urbano Santos e Chapadinha
(montagem do roteiro turístico Barreirinhas -
Caxias para a Semana da Balaiada.
O referido roteiro incluirá o eixo horizontal Arari -
Parnaíba, passando por Itapecuru, Nina Rodrigues,
Brejo, São Bernardo e Tutóia. 
A força da identidade negra nas comunidades tradicionais quilombolas
Nas terras do Maranhão existem comunidades negras rurais habitadas por descendentes de africanos escravizados, denominadas de quilombos. O conceito de quilombo tem sido discutido a partir de um novo cenário das situações sociais com vistas ao acolhimento constitucional previsto pelo artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 88.
No inicio da década de 80 um grupo de pesquisadores estudava o sistema de uso comum da terra, e detectaram que os remanescentes de quilombo buscavam a titulação dos territórios que ocupavam a mais de cem anos. Essa reivindicação se baseava no dispositivo legal citado.
Hoje, essas áreas são chamadas de comunidades negras rurais quilombolas, ou, simplesmente Quilombos.
No Brasil existem mais de 1.200 quilombos, entre eles os de maior repercussão na época da escravidão foram os quilombos do Ambrósio (em Minas Gerais), Quariterê (Mato Grosso), quilombo de Limoeiro (Turiaçu) e quilombo de Lagoa Amarela (Chapadinha) estes dois últimos no Maranhão. Sendo que o quilombo de Lagoa Amarela foi de grande relevância na guerra da Balaiada, uma das maiores e mais significativas revoltas populares com ecos em todo o país. (http://www.forumcarajas.org.br/ , artigo: Quilombos: histórias de luta e resistência negra)


A luta dos negros no Maranhão por liberdade, assim como em todo o Brasil, teve início desde a chegada dos primeiros africanos escravizados. Capítulo importante nessa luta foi, sem dúvida, a fuga das senzalas para locais onde pudessem, livres dos grilhões, se organizar em comunidades, e assim, construir as condições de sobrevivência longe dos seus algozes. É importante destacar a figura do Negro Cosme pela sua preocupação com a educação: é dele a primeira iniciativa (registrada) da criação de uma escola no quilombo, em Lagoa Amarela, hoje pertencente ao município de Chapadinha. Mas, principalmente pela sagacidade de, sabedor da dificuldade de sucesso de uma luta organizada a partir do quilombo, ter aproveitado para engrossar as fileiras da Balaiada, somando aos interesses dos populares das cidades e aos dos vaqueiros as reivindicações quilombolas. 
(http://www.vermelho.org.br/noticia/210030-73)



É importante destacar, também, que a comunidade de "Anjicos", a 12 quilômetros de Chapadinha, também é citada como foco de resistência. 

Veja as localizações de Lagoa Amarela, Bom Sucesso, Anapurus, Mata Roma, Chapadinha e Anjicos: 
Fonte da imagem: professor Iranilton Avelar (Urbano Santos) 


Escolas de Ensino Fundamental e Médio podem promover conteúdos de Balaiada como tema gerador dentro do currículo, veja como...

"Todas as escolas públicas e particulares da educação básica devem ensinar aos alunos conteúdos relacionados à história e à cultura afro-brasileiras. Desde o início da vigência da Lei nº 10.639, em 2003, a temática afro-brasileira se tornou obrigatória nos currículos do ensino fundamental e médio.
Apesar disso, a maioria dos alunos ainda não conhece a contribuição histórico-social dos descendentes de africanos ao país. “A lei não foi implementada de maneira a abarcar todos os alunos e professores. O que há são ações pontuais de iniciativa de movimentos negros, do MEC ou de universidades federais”, informa a coordenadora-geral de diversidade e inclusão social da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), Leonor de Araújo.
Para mapear e ampliar as iniciativas de implementação da lei, a Secad, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), realizou uma oficina esta semana, em Brasília. “Queremos traçar estratégias para criar políticas comuns a fim de que a lei alcance a todos”, afirma Leonor.
A Lei nº 10.639/2003 acrescentou à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) dois artigos: 26-A e 79-B. O primeiro estabelece o ensino sobre cultura e história afro-brasileiras e especifica que o ensino deve privilegiar o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. O mesmo artigo ainda determina que tais conteúdos devem ser ministrados dentro do currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística, literatura e história brasileiras. Já o artigo 79-B inclui no calendário escolar o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro. [...]" (FONTE: http://portal.mec.gov.br/index.php?id=9403&option=com_content&task=view 
- Maria Clara Machado)
A história da Balaiada incluiu o contexto da vivência e exploração dos negros no Maranhão e sua tentativa, no movimento, de resistir a essa situação e libertar-se do jugo opressor. 
Negro Cosme simboliza, no movimento, o líder, o herói negro que, até hoje, não é devidamente valorizado pela cultura e sociedade maranhense e brasileira. 
O dia 20 de novembro é uma data crucial para a celebração da consciência cidadã relacionada aos afrodescendentes e essa temática pode começar nesse período e chegar à sua culminância por ocasião da semana da balaiada, de 7 a 13 de dezembro de cada ano. 
Em muitas escolas de nosso país e, em especial, do Maranhão, o dia 20 de novembro é celebrado com apresentações teatrais, danças, palestras, paródias e muitas outras atividades. O Projeto Balaiada vem aqui propor uma integração de tais atividades à Semana. 
IMAGENS: 
http://arquivo.geledes.org.br/areas-de-atuacao/educacao/lei-10-639-03-e-outras/906-mec-lanca-plano-nacional-para-impulsionar-lei-que-obriga-o-ensino-da-historia-e-cultura-afro-brasileira 
http://ctbminas.blogspot.com.br/2013/05/deputados-e-educadores-cobram-ensino-da.html 
http://guerras.brasilescola.com/seculo-xvi-xix/a-guerra-balaiada.htm

SEMANA DA BALAIADA 2025

Neste ano de 2025 iniciamos um novo ciclo para o Projeto Balaiada.  Fundado em 2014, o ano de 2024 fechou o ciclo de 10 anos, com muitos ava...