sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Proposta para a Semana da Balaiada 2018

Neste ano de 2018 os diálogos já começaram para a preparação da Semana da Balaiada, que ocorrerá de 7 a 13 de dezembro
Confira a proposta em apreciação: 

07/12/2018 - sexta feira
Manhã: Festival da Balaiada, no Centro de Ensino Dr. Otávio Vieira Passos, em Chapadinha-MA. 
Tarde: Cerimônia Oficial de abertura da Semana da Balaiada 2018 e abertura do "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Nina Rodrigues-MA.  
Noite: "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Nina Rodrigues-MA. 

08/12/2018 - sábado
Manhã: Palestras, oficinas e workshops sobre a Balaiada, Turismo, História, Cultura, negócios, Artesanato e Produção Local Sustentável, no "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Nina Rodrigues-MA. 
Tarde: Continuação das palestras, oficinas e workshops. 
Barracas e apresentações culturais do "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Nina Rodrigues-MA.
Noite: Barracas e apresentações culturais do "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Nina Rodrigues-MA. 

09/12/2018 - domingo
Atividades em aberto para os demais municípios da Região da Balaiada. 

10/12/2018 - domingo
Seminário da Balaiada, em São Luís-MA: "180 anos de Balaiada". 

11/12/2018 - domingo
Atividades em aberto para os demais municípios da Região da Balaiada. 

12/12/2018 - segunda feira
Manhã: Cerimônia de abertura do "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Caxias-MA.
Tarde: Palestras, oficinas e workshops sobre a Balaiada, Turismo, História, Cultura, negócios, Artesanato e Produção Local Sustentável. 
Noite: "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Caxias-MA. Show com artistas da terra. 

13/12/2018 - terça feira
Dia Estadual da Balaiada. 
Manhã: Cerimônia Especial em referência ao Dia Estadual da Balaiada, com a presença de autoridades e lideranças locais, regionais e estaduais. 
Tarde: Palestras, oficinas e workshops sobre a Balaiada, Turismo, História, Cultura, negócios, Artesanato e Produção Local Sustentável. 
Barracas e apresentações culturais do "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Caxias-MA.
Noite: Barracas e apresentações culturais do "Circuito Empreendedor "Rota dos Balaios", org.: SEBRAE, em Nina Rodrigues-MA. Show com artistas da terra. 

A pauta está posta para apreciação e deverá ser consolidada pelos participantes do Projeto Balaiada e pelo Fórum Balaiada. 


sábado, 10 de fevereiro de 2018

Edital do MTUR aberto para municípios reconhecidos como turísticos

Resultado de imagem para turismoO Ministério do Turismo oferece apoio financeiro a órgãos ou entidades da Administração Pública Federal, Estadual, Municipal ou Distrital para a realização de eventos gratuitos tradicionais.
Para inscrever o projeto, os órgãos públicos precisam comprovar o caráter tradicional e de notório conhecimento popular do evento, que também deve contribuir para a promoção do destino e o fomento da atividade turística. O evento exige reconhecimento formal pelo órgão oficial de Turismo do estado, além de ser realizado exclusivamente por entes públicos há pelo menos três edições.
Para esclarecer as dúvidas dos gestores a respeito dos convênios de Eventos Geradores de Fluxos Turísticos, selecionamos as principais questões e detalhamos nesta página. Se ainda assim ficar com dúvidas, não hesite em nos procurar no e-mail: cgev@turismo.gov.br.
- Os eventos financiados pelo Ministério do Turismo são gratuitos, não podendo haver cobrança de entradas;
- Ainda é proibida a cobrança de ingressos para acessar áreas internas como boates, camarotes, além de ser proibida a venda de “abadás” e semelhantes;
- Não são permitidas ações que restrinjam a livre concorrência, como obrigar barraqueiros / ambulantes a comprarem de uma distribuidora de bebidas específica;
- É vedada a promoção pessoal de qualquer tipo, seja por menção feita por locutores e artistas nas apresentações, exibição de vídeos e outros tipos de propaganda e marketing;
- Os valores tributários para a exploração de área restrita (barraqueiros, ambulantes e afins) serão os aplicados nas leis municipais. Quando o município não tiver um Código Tributário específico, os valores cobrados serão os descritos na Portaria do Ministério do Turismo;
- Os artistas que participarem dos eventos devem estar cadastrados no site Turismo com Música, preenchendo os requisitos necessários que comprovem por meio de documentos a discografia, premiações recebidas, além de participações em eventos de destaque nacional, bem como outras informações que comprovem o portfólio do artista/banda;
- Os eventos apoiados pelo MTur não podem ser realizados por entidades privadas sem fins lucrativos;
- O proponente deve apresentar declaração de seu representante e dos patrocinadores do evento, quando for o caso, especificando o montante do patrocínio das entidades públicas ou privadas e os itens do evento custeados com cada patrocínio, bem como o instrumento firmado entre o proponente e os patrocinadores que conste tais informações e fotos de cada item patrocinado;
- Os convênios contemplam até 30% do valor dos itens de infraestrutura e até 100% para o pagamento de cachês aos artistas;
- O proponente tem o prazo de até 50 dias antes da data de início do evento para cadastrar e enviar a proposta no Siconv;
- O Ministério do Turismo tem até 30 dias antes da data do evento para aprovar as propostas, até 20 dias para empenhar os recursos e até 15 dias para conveniar;
- Em 2018, devido ao calendário eleitoral, o prazo para a realização de eventos com recursos dos convênios é até o dia 6 de julho. Portanto, as propostas devem ser cadastradas no Siconv até 50 dias antes da data;
- Para conhecer o Programa de Apoio a Eventos Geradores de Fluxos Turísticos do Ministério do Turismo, acesse o Portal SICONV.

Fonte: 
http://www.turismo.gov.br/assuntos/10615-conv%C3%AAnios-tire-suas-d%C3%BAvidas

Link da imagem: 
http://www.tribunadigital.com.br/single-post/2017/10/14/Termina-na-segunda-feira-as-inscri%C3%A7%C3%B5es-para-o-programa-Brasil-Bra%C3%A7os-Abertos-voltado-para-o-Turismo

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

PROJETO BALAIADA, UM NOVO JEITO DE CONTAR A HISTÓRIA

Inspirado em regiões turísticas como Minas Gerais, a região da Farroupilha no Rio Grande do Sul, Nova Jerusalém em Pernambuco e outras, o Projeto Balaiada pretende promover a História da Balaiada a partir do viés crítico social, inspirado nos movimentos de valorização do tema das décadas de 90, em Caxias, e dos anos 2000, do Movimento Novos Balaios.
Por outro lado, busca enfatizar o aspecto do desenvolvimento sustentável da região nordeste maranhense, onde se constata o foco principal da Guerra da Balaiada no século XIX. Questões como preservação do meio ambiente em meio à promoção da agricultura familiar, produção artesanal e a cultura popular são elementos que estão na pauta temática do Projeto Balaiada.
Um ponto importante a ser considerado é a proximidade com a região turística de Barreirinhas, os Lençóis Maranhenses, bem como sua localização central entre essa área e a região dos cocais, polarizada pela cidade de Caxias, onde encontra-se, inclusive, o Memorial da Balaiada, o que propicia fortemente a implementação de uma ação no turismo.
O Projeto foi iniciado em 2014 com a realização da Primeira “Semana da Balaiada”, ocorrida de 7 a 13 de dezembro daquele ano. O período se explica devido ao final do festejo de Nossa Senhora da Conceição, forte religiosidade na região dos balaios, no dia 8 de dezembro, seguindo até o dia 13, data em que teve início a Guerra da Balaiada na Vila da Manga do Iguará, atual Nina Rodrigues.
A Semana da Balaiada é uma tecnologia social onde se concentram ações de governos e entidades no sentido da promoção do debate sobre o tema e ainda a socialização de apresentações culturais como música regional, peças teatrais, poesias e muitas outras formas artísticas, podendo ser concentradas em um evento único como o “Festival da Balaiada”, que já vem sendo realizado por alguns municípios há alguns anos.
Tem como temas transversais a questão da tolerância e o combate à discriminação, bem como o estímulo ao estudo da história da população afro-brasileira e indígena nas escolas.
A partir de 2014 seguiu-se a cada ano as Semanas da Balaiada, sempre no mesmo período, sendo acrescentados outros momentos do ano como viés temáticos afins à Balaiada, como as Festas Juninas, Semana do Meio Ambiente, Semana da Consciência Negra, o 17 de setembro (dia documentado como o enforcamento de Negro Cosme, em Itapecuru-Mirim), a semana de Cultura de Itapecuru-Mirim, dentre outros.
Durante os anos em que realizou-se as Semanas da Balaiada pode-se destacar:
Em 2014, participação do Projeto Balaiada na Expo-Chapadinha e seminário da Balaiada, na FAP – Faculdade do Baixo Parnaíba, em que tivemos representantes de municípios como Nina Rodrigues, Anapurus, Brejo, Vargem Grande e Itapecuru-Mirim.  
Em 2015, início das viagens de sensibilização sobre a Balaiada nos municípios. No período houve a adesão da Unidade Regional do SEBRAE de Chapadinha ao Projeto Balaiada. Realização do Programa Mais Cultura e Turismo, do Governo do Estado do Maranhão, durante a Semana da Balaiada de 2015.
Participação do Projeto Balaiada no Seminário de Turismo em Formosa da Serra Negra, onde iniciou-se as orientações para a constituição do Fórum da Região da Balaiada, para a criação do Polo Turístico e Cultural da Balaiada.
Realização da Primeira Semana da Balaiada em Nina Rodrigues.
Nesse ano, o SEBRAE iniciou esforços para identificar o potencial turístico do tema Balaiada e promover apoio ao desenvolvimento da proposta. Sobre isso destacamos o senhor Joelson, turismólogo do órgão e, ainda, as senhoras Flávia Cantalamessa e Elaine, com o estudo técnico sobre a viabilidade turística da região e do tema proposto.
Em 2016, houve a primeira publicação sobre o estudo técnico do SEBRAE sobre a viabilidade técnica do turismo na Região da Balaiada. Houve início da parceria entre Sr. Baltazar (do Museu Recanto dos Balaios) e o Projeto Balaiada, para formatar a construção e organização do espaço cultural. Início dos trabalhos para articulação do Fórum da Região da Balaiada, com uma primeira comissão sediada em Chapadinha. O Projeto Balaiada participou da AGRITEC – Feira de Tecnologias da Agricultura Familiar, do Governo do Estado do Maranhão.


Em 2017, falecimento de um grande parceiro do Projeto Balaiada, o amigo Chichico. Durante o ano fizemos diversos encontros nos municípios para apresentar a proposta do Projeto Balaiada e motivá-los à realização da Semana da Balaiada no final do ano.
Nesse ano foram realizadas algumas iniciativas institucionais, como o Fórum Balaiada (que reúne personalidades de diversos setores da sociedade, como prefeituras, vereadores, empresários, faculdades, organizações não-governamentais, dentre outras), o Consórcio Balaiada (com representações de prefeitos(as) da região), o Parlatório Balaiada (com vereadores), o Museu Recanto dos Balaios (de iniciativa do sr. Baltazar, em Nina Rodrigues) e a sede do Projeto Balaiada (em Chapadinha), a lei do Dia Estadual da Balaiada (13 de dezembro), a lei da Semana Municipal da Balaiada de Chapadinha (de 7 a 13 de dezembro), a proposta do projeto turístico do SEBRAE “Rota dos Balaios”, dentre outras, todas direta ou indiretamente motivadas pelo Projeto Balaiada.
A perspectiva de futuro é que as pesquisas se avolumem cada vez mais, especialmente com a inserção de instituições de ensino, pesquisa e extensão, bem como que os municípios intensifiquem sua preparação para a Semana da Balaiada ao final do ano, bem como de outros períodos afins durante o ano.
Enfim, o Projeto Balaiada é simplesmente um “sonho”. Esse tom de idealismo vazio não cabe ao Projeto. Ele é ação concreta que se realiza em coletivo. É de toda uma região, de uma população que anseia que essa história seja recontada e que contribua para reverter o quadro de atraso social e econômico em que está mergulhada desde o século XIX.
É isso. Obrigado!


Jânio Rocha Ayres Teles

Articulador do Projeto Balaiada

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Encontro do Projeto Balaiada em Belágua-MA, 25/11/2017



Dia 20 de novembro, Consciência Negra no contexto da Balaiada

por Edson Borges*
dia-consciencia-negra-brasil
http://www.portaldarmc.com.br/noticias-brasil-e-mundo/2017/11/dia-da-consciencia-negra-conheca-a-historia-completa/

Na província do Maranhão, há 170 anos, ocorreu uma célebre revolta de escravos. A insurreição de milhares de negros (1838-1840) liderados por Cosme Bento das Chagas tornou-se o fermento mais explosivo durante a Balaiada (1838-1841). Aquele acontecimento revelou um aumento do nível de amadurecimento dos negros escravos pois, através da insurreição buscaram superar a escravidão (após sucessivas fugas e a constituição de diversos núcleos de quilombolas) impondo uma forma mais incisiva de resistência àquela sociedade escravista. Tamanha era a resistência ao trabalho e à condição de escravo que, quando eclodiu a Balaiada (1838), a revolta dos negros e os numerosos quilombos já sacudiam todo o Maranhão. E todo aquele movimento ganhou mais consciência quando liderado pelo negro Cosme Bento das Chagas. Inclusive, a insurreição escrava teve continuidade mesmo após o fim da revolta dos balaios (1841). Também, antigos e novos núcleos de quilombos se mantiveram ou foram criados, alguns concentrando cerca de 400 a 500 quilombolas.

balaiada
Fabricantes de balaios do século XIX
No Maranhão, constituíram-se, inicialmente, pequenos núcleos esparsos de terras produtoras de açúcar. Em 1622, os primeiros engenhos foram construídos. Desde então, a lavoura canavieira não alcançou grandes índices de produção e comercialização. E, ainda, esteve constantemente ameaçada por grupos indígenas, pela escassez de mão-de-obra e por dificuldades comerciais. De qualquer forma, a província do Maranhão estava plenamente integrada social e economicamente na conjuntura e estrutura coloniais com as suas terras, engenhos e escravos, e com a economia de subsistência (a coleta das “drogas do sertão”, a pesca, a caça, a pequena lavoura e a pecuária). Devido ao fato de que a maior quantidade de escravos negros ser absorvida pelas zonas açucareiras de Pernambuco e da Bahia, o problema da constante escassez de mão-de-obra foi “resolvido” pelo aumento do trabalho escravo nativo. No entanto, a oposição da Igreja Católica se opôs à exploração do trabalho escravo indígena, mas não a do trabalho escravo negro. Estes tratados com extremo rigor e violência, andavam quase nus e recebiam uma alimentação insuficiente, geralmente, uma espiga de milho para o almoço, arroz e farinha para o jantar.

Foi, particularmente, desde a 2a metade do século XVIII, que se registrou um grande aumento de escravos negros, vindos das regiões de Cacheu, Bissau e de Angola. A mudança de composição racial da sociedade escravista maranhense refletiu principalmente no decorrer do século XIX, em significativas transformações econômicas e políticas, modificou ainda os padrões e valores sociais. Em conseqüência, a sociedade escravista maranhense foi abalada por diversos conflitos. Em grande parte deles, a ativa participação de escravos e mestiços foi de grande importância. Por conseqüência, a constante resistência ao trabalho forçado se refletiu histórica, individual e socialmente através de fugas, suicídios, insurreições e de crimes contra a condição imposta de ser escravo. Mas, apesar de toda a forma de repressão contra aqueles atos de resistência, o fundamental é que os escravos (submetidos como “coisas” e como homens) à condição de propriedades de outros homens, demarcavam a necessidade de se continuar a luta contra a coisificação e a favor da afirmação da liberdade.
As grandes lavouras de arroz e algodão logo se expandiram pelo interior do sertão, criando tensões por onde desalojava as antigas fazendas de gado. Todo aquele movimento de incremento do trabalho escravo negro (cujo preço foi crescente) levou à sujeição ou dependência gradativa dos proprietários de terras e de escravos aos controladores do tráfico negreiro. Este fato também incrementou o tráfico interno de escravos negros para as províncias do Maranhão, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro entre 1801 e 1839. A necessidade crescente de escravos negros produziu um fato significativo. Na 1a metade do século XIX (ou por volta de 1822), a população total do Maranhão, excetuando os índios, era estimada em cerca de 152 mil e 800 habitantes, sendo que a proporção de escravos negros estava na casa de dois para cada “homem livre”. Nas cidades, vilas, povoações e fazendas, além da existência de negros escravos, havia os negros livres, fato este que poderia, certamente, elevar o número de negros. A expansão das lavouras de algodão para o sertão maranhense e a conseqüente necessidade do aumento do tráfico de escravos negros produziu grandes concentrações de escravos no interior. E, a presença de pouca vigilância facilitou (desde o início do século XVIII) as fugas diárias e a constituição de diversos quilombos, onde os ex-escravos mantinham casas, plantações e criações.
Em alguns quilombos exploravam-se minas de ouro, o que permitia que se mantivessem mais relações comerciais com os povoados próximos, possibilitando a compra de víveres, tecidos, armas e munições. Outros quilombolas viviam de forma dispersa, em casebres no interior das matas, praticando a agricultura e optando pelo isolamento. As trilhas que levavam até os quilombos eram diversas. Por volta de 1850, alguns daqueles quilombos tinham mais de 40 anos! Era comum os quilombos serem reconstruídos após imporem grandes resistências às tropas oficiais. Renasciam das cinzas de plantações e casebres destruídos, reconstruindo assim a rota da liberdade.
Muitos quilombos criados no decorrer do período eram, como testemunham as numerosas áreas Remanescentes de Comunidades de Quilombos, registros atuais daqueles acontecimentos históricos. Neste ponto, acentuamos que entre os heróis da história brasileira devemos enaltecer alguns participantes ativos de revoltas ou insurreições escravas e populares anteriores e posteriores ao século XIX, como o nome de Cosme Bento das Chagas.
(…) Por outro lado, deveríamos aprender a negar Duque de Caxias, historicamente imposto aos brasileiros como um dos heróis nacionais quando, uma das suas atividades mais constantes foi a de ser um autêntico representante dos interesses das elites brasileiras e um implacável destruidor de quilombos. 
Estes foram espaços sociais, políticos e ideológicos conquistados por negros. E, estabeleceram rotas da liberdade contrárias às rotas do tráfico de escravos, da escravidão, do açoite, da submissão, da pobreza, da miséria, do racismo, da exclusão social e racial.
No Maranhão, era significativa a presença dos interesses comerciais ingleses, provocando constantes reações de setores nacionais e portugueses. De maneira geral, os períodos de prosperidade que produtos como o algodão e o açúcar alcançaram no mercado internacional beneficiava diretamente os setores e os interesses dominantes do comércio ou do tráfico de escravos. A grande maioria sobrevivia presa à escassez de produtos de subsistência, `a submissão, ao escravismo e à violência. Longe, portanto, das camadas sociais ou famílias que viviam envoltas pela opulência e fortuna.
Especialmente, os senhores de engenho (que, assim como os colonos brancos, eram em sua maioria analfabetos e embrutecidos) que concentravam poder, prestígio social e econômico, condição que era alimentada pela manutenção dos grilhões da escravidão.
De uma maneira geral, negros, índios e mestiços eram social e racialmente desprezados pelos brancos e, é necessário acentuar que, também era comum a rejeição dos negros pelos mestiços. Na sociedade maranhense de então, havia casos exemplares de crioulas e mestiças amasiadas com ricos e poderosos locais que viviam rodeadas de fartura, jóias e de escravos. Porém, a grande maioria das mestiças de tudo fazia para parecer mais brancas e, em decorrência, rejeitavam abertamente negros e “mulatos” que não podiam maquiar as suas origens social e racial. E, foi exatamente no sertão onde se deu uma maior aproximação entre brancos e índios, resultando em uma numerosa população mestiça. Posteriormente, com o avanço das grandes lavouras e com a introdução da mão-de-obra escrava africana (nas plantações, nos trabalhos artesanais – onde o negro convivia com homens livres assalariados – e nos serviços domésticos) resultou em um crescente número de mestiços entre negros e brancos e, também, entre negros e índios.
As relações sociais pautadas na “raça” chegaram ao ponto de as famílias brancas rejeitarem a mistura racial, determinando que a permissão das relações e dos casamentos deveria estar ligada à comprovação da genealogia ou dos antecedentes dos pretendentes. A pureza étnica ou racial deveria estar presente e comprovada até os tetravós!!! O ideal social e racialmente positivo era ser “branco puro”. Os mulatos eram estigmatizados e, ser “pardo” era uma desonra. Porém, devido à grande quantidade de membros da “raça cruzada”, o “perigo” era um “branco puro” se “casar com bode”, ou seja, como se dizia na época, com aqueles que “haviam berrado no ventre materno”. Todo esse leque de rejeições levou a que houvesse uma grande conscientização das diferenças sociais, econômicas e raciais, assim como se tornaram um poderoso fermento para o crescimento da violência nas relações sociais maranhenses. Desta maneira, para certos membros das camadas dominantes da província, os movimentos que contestavam aquela rígida sociedade escravista eram compostos por pessoas social e racialmente ignorantes. Com isso, as revoltas e insurreições aprofundaram ainda mais os preconceitos e as barreiras sociais e raciais existentes. Ser pobre e “de cor” eram marcas que rebaixavam a condição dos indivíduos. Mas, logo os movimentos dos balaios e dos escravos tomaram proporções gigantescas e receberam milhares de adesões.
Na 1a metade do século XIX, alguns elementos serviram para alimentar o caldo de cultura que indicava profundas mudanças. A independência política, ocorrida em 1822, gerou profundas divisões e rivalidades no seio da elite dominante maranhense. Estava em jogo interesses de grupos e a direção dos mesmos diante das novas alianças e projetos que o país independente tomaria. Dentro desta ótica, outro fato significativo foi a substituição do algodão pelo açúcar na economia do Maranhão. No contexto internacional, o século XIX assistiu à definitiva instalação dos interesses ingleses na economia brasileira e a liquidação do domínio colonial português sobre o país. Naquele contexto, também, ocorreu o avanço na desestruturação da economia maranhense (fato que ocorria desde o século XVIII), tanto na agricultura como na pecuária. O alargamento da crise sobre as estruturas produtivas agravou o nível de vida das camadas populares (aumentou a miséria da população devido à falta de recursos e de terras para a produção de subsistência e de víveres e, ainda, cresceu o número de desocupados e de indigentes no sertão da província). Em contrapartida, o escravo era cada vez mais utilizado na maioria das atividades produtivas. Este fato criou tensões constantes entre as camadas pobres e livres e os escravos negros.
Toda aquela ebulição de acontecimentos possibilitou a germinação de certa semente de conscientização política. Esta apontava para a necessidade de expulsão dos portugueses (e outros estrangeiros) e a defesa intransigente da nacionalidade. Outra característica se deu na assimilação de ideais de liberdade, particularmente entre os escravos. É necessário ressaltar que aqueles acontecimentos no Maranhão ocorriam em pleno período regencial (1831-1840), contexto em que ocorreu a Abdicação de D. Pedro I e a Maioridade de D. Pedro II, com a conseqüente crise do poder nacional em constituição e as suas numerosas e sangrentas revoltas, insurreições e revoluções nas demais províncias. O debate político tornou-se intenso. A imprensa impulsionava a ebulição de idéias liberais e nacionalistas entre todas as camadas sociais, especialmente, entre os populares. O ódio aos portugueses era comum a muitas revoltas.
Os nacionais e as suas idéias nacionalistas e liberais, alimentadas na cidade de São Luís, reivindicavam (com o apoio externo, especialmente, inglês) a tomada dos destinos da província, principalmente frente aos interesses portugueses e propondo uma redefinição das relações entre Portugal e o Brasil. No entanto, estas propostas liberais não superariam as contradições da sociedade hierárquica, racista e escravista maranhense. Foi com a inclusão de vastos setores sociais do interior que se procurou redefinir algumas questões quentes. Ao desfraldar a bandeira do “liberalismo revolucionário”, os balaios enfrentaram, além da expulsão dos portugueses, a necessidade de se superar os preconceitos contra os “homens de cor” e os “brasileiros pobres”. Nesta luta se destacaram homens das “classes inferiores”, como Raimundo Gomes (vaqueiro, sertanejo e mestiço – índio com negro). Estes e outros homens carregavam objetivos, valores, interesses e ambições diferentes dos representantes da elite dominante. Então, no bojo quente da Balaiada, aquelas questões, contidas nos manifestos dos balaios, incentivaram a maior participação de mestiços, “pobres e deserdados”, além de ricos proprietários de terras e escravos, famílias influentes, filhos de pobres agricultores entre outros. Desta forma, as motivações e as consciências dos objetivos da luta só podiam ser divergentes, de acordo com as diversas categorias sociais envolvidas.
balaiada
Durante a Balaiada, os negros escravos foram rejeitados pelos líderes mestiços balaios. A maioria deles acabou, no decorrer da luta, se aliando às forças conservadoras e repressoras contra o escravo rebelado. Entre os balaios, principalmente, na fase mais aguda da repressão, as divisões internas incentivaram sérios conflitos entre os “homens de cor” (para os balaios, o “povo de cor” incluía as camadas mestiças, pobres e índios do Maranhão. Entre aqueles, não incluíam os negros livres ou escravos). Contudo, a rejeição inicial aos negros teria sido superada por alguns setores, no momento da desagregação da Balaiada, quando esta recebeu uma grande participação de negros. Aquela atitude inicial era devido à “assimilação dos valores da sociedade escravocrata pelas camadas desprovidas da população, gerando, entre elas, mecanismos de ascensão social e de rejeição ao negro”. Este tipo de comportamento envolveu a todos.
Afinal, “o processo de conscientização do escravo negro no Brasil parece ter sido bloqueado, desde os tempos da Colônia, por duas sortes de barreiras: a natureza da própria sociedade escravocrata que, obstruindo ao negro as vias de acesso social, restringia-lhe as possibilidades de uma visão abrangente do meio em que vivia; e, a marginalização da numerosa camada pobre de brasileiros que, vivendo à sombra do escravo, teve sua consciência social condicionada à própria visão do grupo dominante”. No caso específico do Maranhão de então, continua a autora, por estar “a quase totalidade da sua população pobre (mestiços e índios) ligada à pecuária extensiva e às atividades de subsistência, a introdução do escravo africano como mão-de-obra exclusiva da lavoura e, mais ainda, infiltrando-se em todos os setores da vida maranhense, representou a perda de oportunidades de trabalho para milhares de pessoas”. Entre as conseqüências, “reduziram-se, desta forma, as possibilidades de ascensão em uma sociedade onde, até aquele momento, o trabalho constituía não apenas uma forma de subsistência, mas principalmente um fator de participação social para a numerosa população pobre ligada ao trabalho livre. Vivendo essa população livre à sombra do escravo que se apropriou do trabalho, aviltando-o socialmente, ela rejeita esse escravo, primeiro como concorrente, depois pela assimilação de valores vigentes na sociedade do tempo” (Santos, 1983: 63, 89 e 103).
Desta maneira, a Balaiada como movimento social, desde o início não conseguiu superar a força da ideologia racista daquela sociedade escravista e, nem o seu fundamento, o trabalho escravo. Consequentemente, quando manifestou um “Fora feitores e escravos”, tinha uma relação maior com as possibilidades abertas para a ascensão social da maioria dos balaios, do que qualquer tipo de solidariedade com os negros escravos ou de negação do trabalho escravo. E, por mais que as condições sociais e de vida dos pobres, caboclos, mestiços e índios se assemelhassem àquelas vividas pelo negro escravo ou alforriado, os líderes rebeldes balaios estiveram a maior parte do tempo mais próximos dos liberais maranhenses pois suas reivindicações não chegaram a ultrapassar promessas de “fidelidade à Constituição, à religião católica e ao imperador, voltando-se contra a influência dos portugueses e os privilégios sociais que dificultavam a ascensão de amplos setores da sociedade maranhense” (Santos, 1983: 90). Quando falava em igualdade, seria uma conquista dirigida aos “homens de cor”, para que os mestiços, cabras e caboclos, tivessem os mesmos direitos que os brancos. Eram, então, limites que excluíam os negros, assim como ocorria com a ideologia dominante daquela sociedade escravista. Somente quando os movimentos dos balaios e dos escravos perderam a força inicial (por volta de 1840) que houve um princípio de aproximação entre eles. Foi quando a luta assumiu o caráter de uma revolta dos “homens de cor contra os brancos”, momento em que se organizou uma implacável repressão contra os últimos e persistentes revoltosos. O líder dos balaios, Raimundo Gomes, após ser derrotado, juntou-se (em 1839) aos quilombolas liderados por Cosme Bento das Chagas. Posteriormente, em 1841, juntou-se a um grupo de índios, até render-se com mais de 700 rebeldes às tropas do futuro Duque de Caxias. A fome, a doença e a repressão venceram os cerca de 11 000 mil balaios. Entre eles, havia grande número de camponeses pobres, índios, mestiços, brancos e negros.
O grande medo das elites era a ocorrência de uma rebelião negra. Naquela etapa da insurreição “os negros aprenderam com os balaios as táticas de guerrilhas, quando a sua luta extrapolou a resistência dos quilombos para os confrontos em campo aberto com as tropas da legalidade. Como os balaios, também os negros incendiavam as casas e os paióis para que o inimigo não encontrasse recursos de abastecimento”. Foi, então, “entre 1838 e 1841 – com a Balaiada – que os movimentos de escravos no Maranhão adquiriram novas performances, ultrapassando os níveis de resistência tradicionalmente utilizados (fugas, assassinatos, quilombos) e caracterizando-se pela resistência ativa com grandes mobilizações e razoável grau de organização” (Santos, 1983: 91 e 96).
Com o alastramento da revolta dos balaios e dos movimentos de fugas, quilombos e insurreição de escravos foi todo o sistema de poder, produção e dominação escravista maranhense que esteve ameaçado. Em 1839, conservadores e liberais superaram as suas divergências e passaram a unificar a luta contra aqueles que ameaçavam a continuidade do sistema. Imediatamente, unificou-se o uso da força pelo governo. Com a ajuda de proprietários e comerciante organizou-se batalhões provisórios em diversas localidades. Também, em 1840, Luís Alves de Lima, o futuro Duque de Caxias, assumiu a presidência da província do Maranhão. À frente de cerca de 8 000 mil homens, estavam dadas as condições para a grande repressão que reuniu, ainda, lavradores, agregados, feitores e as poderosas famílias locais contra a Balaiada e as diversas formas de resistência à escravidão. Por volta de 1840, o movimento dos balaios começou a se desintegrar, devido às primeiras traições e à força da repressão adotada pelo governo. Para as classes dominantes da época, a cor e a pobreza eram tão pecaminosas quanto aquelas rebeldias. Para alguns, a cor era um defeito maior do que a pobreza.
Mas, diante de tudo isso, o grande foco da revolta escravista foi na região de Itapicuru, que chegou a concentrar cerca de 20 mil negros e ameaçou o “sossego público” do Maranhão. Daquela região o negro Cosme, ao fugir da cadeia de São Luís, iniciou uma grande insurreição de negros em várias fazendas da redondeza. O negro Cosme distribuía cartas de alforrias a seus seguidores e concedeu a si próprio o título de “Tutor e Imperador da Liberdade”. Cosme sabia ler e escrever, tinha cerca de 40 anos e chamava a sua luta de “Guerra da Lei da Liberdade Republicana”. Estendia a Irmandade do Rosário a todos aqueles que apoiavam a sua luta. Como líder espiritual, era onde o negro Cosme concentrava todas as suas forças.
Cosme Bento das Chagas, como chefe negro, expressou o seu grau de consciência política e o valor que dava à liberdade, quando procurou estabelecer uma escola de ler e de escrever no quilombo de Lagoa-Amarela, na comarca do Brejo. Chegou a liderar cerca de 3 000 mil negros. Defendia a autoridade do Imperador Pedro II, todavia foi um negro forro e resistente ativo naquela sociedade escravista. Era natural de Sobral, no Ceará, não tinha domicílio certo e vivia de comandar a tropa de negros com o objetivo de acabar com a escravidão. Segundo o futuro Duque de Caxias, o “Tutor e Imperador da Liberdade” foi quem mais assustou os fazendeiros locais. Do grande quilombo situado na fazenda Lagoa-Amarela, próximo ao rio Preto, mantinha piquetes avançados e dirigia grupos de quilombolas que roubavam e incentivavam a insurreição nas fazendas da região. Na verdade, em toda a província do Maranhão eram milhares os negros quilombolas, tornando a insurreição incontrolável e generalizada. O negro Cosme, então, não tinha o controle sobre todos os negros rebelados.
balaiada
A partir de 1840, as perseguições se tornaram mais constantes e sangrentas para a captura de Cosme e seus homens. No final, cerca de 200 negros resistiram bravamente às tropas do futuro Duque de Caxias. Um grande número de quilombolas foi aprisionado (entre eles muitas crianças), e devolvidos a seus antigos senhores. O negro Cosme, ferido, ainda tentou refugiar-se entre os índios. Mas, foi capturado após uma heróica resistência de todos aqueles negros. Muitos morreram diante das tropas legalistas. O processo de julgamento de Cosme Bento das Chagas ocorreu de março de 1841 até abril de 1842. Em 5 de abril daquele ano, foi condenado à pena de morte. Foi enforcado na vila de Itapicuru-Mirim, talvez, entre os dias 19 e 25 de setembro de 1842. 
negro cosme
http://negrocosme.secti.ma.gov.br/start/
Assim como os búzios de 1798 em Salvador, e tantos outros, o negro Cosme foi justiçado para servir de exemplo. Mas, outros escravos e negros não aceitaram aquele “exemplo”, pois os cativos continuaram resistindo e formando quilombos. E, com isso, nos transmitiram verdadeiros exemplos. Histórias como essas nos ensinam o poder da organização e a necessidade de termos a consciência de que a luta continua. Afinal, os afro-brasileiros seguem lutando contra a ideologia, o racismo e a dívida histórica que a sociedade brasileira impõe ao povo negro, mesmo após a superação da escravidão.
Este texto foi baseado nas informações contidas no livro de Maria Januária Vilela Santos. A Balaiada e a Insurreição de Escravos no Maranhão. São Paulo: Ática, 1983.
Fonte: Mrs Groove
*Edson Borges é Mestre em Antropologia Africana pela USP. Editor da revista Estudos Afro-Asiáticos da Universidade Cândido Mendes (Ucam). Professor do curso de pós graduação “História da África” pela Ucam. Pesquisador e historiador. Esse texto foi escrito há 10 anos, mas o site resolveu dá-lo integralmente.

Fonte: 
https://www.geledes.org.br/negro-cosme-bento-das-chagas-e-balaiada/?gclid=Cj0KCQiAl8rQBRDrARIsAEW_To_6FnQHFF9aqgD6yIspQAyuMpPL3IOLyOehbYcJWliegM6BEhBiS7EaAl0XEALw_wcB

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Projeto Balaiada participa do Salão de Turismo do Maranhão 2017

A imagem pode conter: 6 pessoas, pessoas sorrindo, área internaO Projeto Balaiada, a convite da Superintendência Estadual do SEBRAE-MA, na pessoa do senhor João Martins, participou ativamente do Salão de Turismo do Maranhão 2017. 
A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em péFora disponibilizado um stand, no padrão dos polos turísticos do Estado, onde esteve denominado FÓRUM BALAIADA, a representação coletiva organizada do Projeto. 
Estiveram presentes diversas lideranças políticas, sociais, o pessoal do Trade de Turismo, estudantes da área de hotelaria, turismo e muito mais. Destaca-se a presença do Governador do Estado do Maranhão, Flávio Dino, que veio prestigiar nosso stand. 
Passaram pelo nosso stand pessoas de vários municípios maranhenses e de outros estados brasileiros, o que muito nos honrou. 
Um grande ganho advindo da participação do Projeto Balaiada no Salão de Turismo foi o estabelecimento de contatos com agências de turismo e a Secretaria de Estado da Cultura e do Turismo - SECTUR, bem como do Ministério do Turismo - MTUR. 
A imagem pode conter: 10 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé
O clima de preparativos para a VI Semana da Balaiada está efervescente. Diversos municípios tem confirmado programações. 
De acordo com o cronograma do Projeto, em 10 anos a Região da Balaiada estará reconhecida como destino turístico em nível estadual e nacional, já partindo em 2018 para participações na mídia estadual e encontros com empresários do setor de turismo para a construção de parcerias e a elaboração de pacotes de visitação para a Semana da Balaiada 2018, de 7 a 13 de dezembro. 

Jânio Rocha Ayres Teles
Coordenador do FÓRUM BALAIADA




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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A FUMAÇA DA CARABINA

“Um passeio pela Balaiada do século XIX – 170 anos de início da revolta popular”
http://bastopoetaemilitante.blogspot.com.br/2016/12/a-fumaca-da-carabina-um-passeio-pela.html
       Eles rondavam o sertão a procura da terra, grandiosas faram suas batalhas e ideologias em defesa de um mundo melhor. Corajosos, saíram da Vila de Manga rumo ao Baixo Parnaíba, eram os vaqueiros rebeldes. Adentraram chapada a fora atravessando vilarejos, escondendo-se dos legalistas e formando o povo. Talvez tirasse da selva sua alimentação, suas famílias ficavam sob a proteção de guerreiros.
       Os heróis eram aqueles vaqueiros, quilombolas, caboclos, camponeses pobres, índios e artesãos que sob a coragem de lutar por um ideal desafiaram o poder provincial do país. Mas existem mentiras em algumas páginas da história, porque quem a escreveu às vezes foi quem torturou os mais fracos. Os papeis mostram que a insurreição começara em 13 de dezembro de 1838. Sabe-se que a população do sertão maranhense já vinha sofrendo e se revoltando muito antes do fato de Vila da Manga; houve na verdade várias balaiadas; muitas revoltas contra as atrocidades dos fazendeiros, latifundiários, escravocratas que herdaram a estrutura fundiária no interior do estado. O que foi a Balaiada? Uma “insurreição”, “rebelião”, “revolução”, “sublevação”, “guerra civil”, “movimento revolucionário”, “revolta” ...? Tudo isso ela foi. Foi na verdade a insatisfação do povo humilde, dos analfabetos, das camadas mais pobres e miseráveis do interior, atores que fizeram o movimento. A Balaiada foi uma guerrilha camponesa, um levante que durou quatro anos de lutas entre nossos irmão e as forças militares do império, indo de 1838 a 1842. Alguns tentaram tirar proveitos dos corajosos rebeldes -, os “bem-te-vis”, que acovardaram-se e no auge da radicalização da revolta caíram fora. Nossos heróis cravaram seus nomes no imaginário popular, como o povo poderia esquecer de tamanho feito em busca da liberdade e pela igualdade de direitos. Um salve aos nossos líderes incansáveis que sonharam um dia, entre esses vultos o Raimundo Gomes, o Balaio, o Negro Cosme e todos os outros que tombaram.
       O sangue que regou o chão das chapadas do sertão do leste maranhense ainda hoje clama por justiça nos esconderijos e mocambos. Tentaram apagar os feitos que os verdadeiros heróis deixaram, o legado de sonhos e esperança. O movimento teve como espaço o nosso sertão, as veredas por onde ouve muitos combates marcaram as embocaduras do litoral, as imediações do rio Parnaíba, do Itapecuru e do Munim, adentraram região do Baixo Parnaíba afora penetrando nos atuais municípios de Barreirinhas, Tutóia, Araioses, Brejo, São Bernardo, Buriti, Milagres do Maranhão, Chapadinha, Urbano Santos, Vargem Grande, Nina Rodrigues, Icatu e Umberto de Campos. Muitas pelejas, vestígios ainda restam em valas e boqueirões. Os rios estão lá para contar o que passou.
       Guerreiros balaios de ontem e de hoje, os tempos se foram, as lutas continuam as mesmas. Os problemas de desumanidade, de desacatos aos direitos humanos, de impactos ambientais que atinge os camponeses e camponesas são os mesmos ou até piores do que os daquela época. O chão é o mesmo, as comunidades também. As armas se transformaram, outras continuam sendo os bacamartes e granadeiros de sempre. Aqueles heróis foram os pioneiros que num grito de dor utilizaram da força do braço e do pensamento para construir suas bandeiras em busca de respeito e dignidade. Esse capítulo importante está gravado no panteão dos mártires e na “fumaça da carabina” que se perpetuou nos ventos da história.
 (http://bastopoetaemilitante.blogspot.com.br/2016/12/a-fumaca-da-carabina-um-passeio-pela.html)

José Antonio Basto

EDITAL DE CONVOCAÇÃO PARA INSCRIÇÃO DE ATIVIDADES NA SEMANA DA BALAIADA 2026

  EDITAL DE CHAMAMENTO PÚBLICO Nº 001/2026 PARA INCLUSÃO DE ATRATIVOS E ATIVIDADES DE INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS, ALÉM DE GRUPOS E P...